domingo, 5 de junho de 2016

A mocinha, a cidade e a torre











A mocinha, a cidade e a torre

Era uma vez uma mocinha sem teto que vivia em uma grande cidade, onde todas as pessoas lhe pareciam iguais.  Não importava: homens, mulheres, até mesmo as crianças lhe pareciam tão iguais...
Não conseguia enxergar bem as pessoas individualmente, pois a densidade demográfica era tão alta que, no seu tamanho humano, pequeno, não conseguia distinguir.  Partes, todo, tudo lhe parecia indistinto.
Tudo se movia numa espécie de rede de correntes que a arrastavam ora em uma ora em outra direção.  E a garota buscava... Buscava... ar, espaço, visão, dança e silêncio para ver e ouvir melhor.
Então a garota a muito custo consegue atingir a borda, o limite dessa cidade.  À sua frente consegue ver um imenso campo tomado por uma vegetação rasteira e à distância, uma torre muito alta.
Ansiosa e sem hesitar, a garota sobe até o mais alto da torre e ali estabelece sua casa.
A partir dessa torre ela consegue selecionar o que quer ver, ao mesmo tempo em que sempre tem a visão da totalidade.
Quando solitária, sinaliza para outro buscador chegar, sempre esperando novos buscadores.
17/08/2013
Angela Belas 

3 comentários:

  1. Essa pequena crônica a fiz por ocasião de um trabalho vivencial para representar com miniaturas em uma caixa de areia

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  2. O interessante texto fala da busca da justa distância para que se efetive o encontro que nos salve de uma proximidade alienada, e talvez, de um distanciamento exagerado que comprometa o contato.

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    1. Agradeço o comentário perspicaz e sensível. Esse texto nasceu na dimensão da oralidade, de um contá-lo, ao tempo em que distribuía miniaturas, símbolos, na caixa de areia. Uma experiência interessante.

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