A mocinha, a cidade e
a torre
Era uma vez uma mocinha sem teto que vivia em uma grande
cidade, onde todas as pessoas lhe pareciam iguais. Não importava: homens, mulheres, até mesmo as
crianças lhe pareciam tão iguais...
Não conseguia enxergar bem as pessoas individualmente, pois
a densidade demográfica era tão alta que, no seu tamanho humano, pequeno, não
conseguia distinguir. Partes, todo, tudo
lhe parecia indistinto.
Tudo se movia numa espécie de rede de correntes que a
arrastavam ora em uma ora em outra direção.
E a garota buscava... Buscava... ar, espaço, visão, dança e silêncio
para ver e ouvir melhor.
Então a garota a muito custo consegue atingir a borda, o
limite dessa cidade. À sua frente
consegue ver um imenso campo tomado por uma vegetação rasteira e à distância,
uma torre muito alta.
Ansiosa e sem hesitar, a garota sobe até o mais alto da
torre e ali estabelece sua casa.
A partir dessa torre ela consegue selecionar o que quer ver,
ao mesmo tempo em que sempre tem a visão da totalidade.
Quando solitária, sinaliza para outro buscador chegar,
sempre esperando novos buscadores.
17/08/2013
Angela Belas


Essa pequena crônica a fiz por ocasião de um trabalho vivencial para representar com miniaturas em uma caixa de areia
ResponderExcluirO interessante texto fala da busca da justa distância para que se efetive o encontro que nos salve de uma proximidade alienada, e talvez, de um distanciamento exagerado que comprometa o contato.
ResponderExcluirAgradeço o comentário perspicaz e sensível. Esse texto nasceu na dimensão da oralidade, de um contá-lo, ao tempo em que distribuía miniaturas, símbolos, na caixa de areia. Uma experiência interessante.
Excluir